Jan & companhias

segunda-feira, março 02, 2009

Mário Crespo, JN, Fevereiro2009

A discussão entre
uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e
uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um
casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da
vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir
meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem
a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro.
Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência,
que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à
consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a
identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que
protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O
resultado das duas dinâmicas, um "casamento" nunca reprodutivo e o
facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a
possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da
existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José
Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer.
(...)
Discutem a morte e a ausência da vida
por serem incapazes de cuidar dos vivos.